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Ética e ciência

Redação de Filosofia – 2010

“Neste mundo há muitas misérias que não são ignorâncias; e não há ignorância que não seja miséria”. Padre Antônio Vieira

Heráclito e Demócrito

De acordo com a obra do artista Bramante, os filósofos Heráclito, o “pai da Dialética”, e Demócrito, que estudou o átomo como indivisível, observam o mundo sob aspectos distintos. Heráclito chora, enquanto Demócrito ri. Dessa forma, Padre Antônio Vieira, conhecido pelos sermões que escreveu, analisa o valor de ambas as reações.

Ao chorar, Heráclito demonstra insatisfação com as “misérias” do mundo, isto é, com os acontecimentos que não se modificam. Dentro da filosofia criada por Heráclito, “ninguém banha-se duas vezes no mesmo rio”, o mundo está em frenética mudança. O choro do filósofo parece indicar certa falha na filosofia que ele mesmo criou. A vontade de poder, o totalitarismo, a ética perdida são fatos que não se modificam por si mesmos, como as águas de um rio. Saber que existem “misérias” é apenas um passo para a mudança, todavia ter consciência delas não costuma modificá-las naturalmente. Essas mudanças, portanto, não podem constituir uma “origem”; elas são invenções do ser humano.

No quadro, tendo uma reação oposta, Demócrito ri. Não possui uma conotação arrogante e nem se posiciona como um “velhaco” que detém todo o conhecimento. Mas, ao creditar a ideia do átomo, Demócrito sente que possui um trunfo. A ciência é capaz de alimentar milhões de pessoas, de criar armas para defendê-las (em certo sentido). Mas a ciência não se apropria da segregação ou pobreza na África. Ambas as idéias, de Heráclito e Demócrito, são válidas, auxiliam na constituição da sociedade. Entretanto, debater a ética é fundamental para que facilite um pouco a convivência humana e estabeleça um limite na ciência. 

Marina Franconeti Ver tudo

Escritora e mestranda na USP em Filosofia, na área de Estética, pesquisando Manet e o feminino. Ama pintar aquarelas, descobrir a magia oculta nas tintas e na prosa do mundo.

4 comentários em “Ética e ciência Deixe um comentário

  1. Você coloca redaçao de filosofia e olha a pergunta que eu coloco acima… hahahaha
    Mas muito inteligente o texto, bem estruturado e mais uma vez percebe-se a sua percepção que você sobre contextos históricos/filosóficos…

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  2. Mari, Ficou bem legal o seu post…
    eu tava lendo e apareceu “com os acontecimentos que não se modificam” e eu “ué, mas ele não acreditava numa filosofia de mobilidade? e de fato, prosseguindo a leitura do texto eu pude concordar com você, ao passo que, sua filosofia é paradoxal. Aliás, esse é um dos motivos que eu acredito que Parmênides e Heráclito pensavam a mesma coisa mas não queriam assumir. Concrodei com você duplamente desta Vez! a mobilidade nem sempre é Ursprung, porém Erfindung pode ser, como neste caso, aliás, as misérias ocorridas já são erfindungs e a razão da tal (a organização social ou a própria sociedade) também o é. E o mais bonitinho da história toda: O fogo (arqué de Heráclito) também é erfindung!

    Já na parte em que cê diz que Demórcirto ri pela ciência que pode concertar as falhas pélas quais Heráclito chora, não tenho tanta certeza que ao criar o modelo atomístico de arqué ele tinha em mente criar um novo ramo, ou melhor, uma nova ciência. Pode ser que, também, não tenha nisso pensado a primeiro momento, mas no desenvolvimento de sua tese tenha sido criada uma nova ciência. Acredito que não. Nunca fiquei sabendo que dele houve outro registro a respeito do mesmo.
    Enfim, vou perguntar ao titio DOug! UHASUHSUHASUHA

    Beijos Máh!
    Ficou ótimo!

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  3. como ja disse uma vez, na minha opniao Democrito representaria perfeitamente nossos politicos q riem da ignorancia do povo e nao vendo sua miseria esem ao menos planos para acabar com toda essa ignorancia, sendo q o primeiro ignorante seria ele/eles mesmo/s

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