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Alice e as mudanças

A polêmica atual é a qualidade do filme Alice no País das Maravilhas, dirigido por Tim Burton. Diversos sites estão discutindo-o: uns dizem que o filme é belo e outros insistem em mostrar certa decepção após um longa que era muito aguardado pelos fãs do diretor.

Sem dúvida, o visual do filme é lindo. Tudo muito colorido, remetendo à infância e ao clima psicodélico típico do desenho produzido pela Disney. O detalhe do enredo que faz de Alice uma adolescente é interessante, porque ela está prestes a ingressar na esfera pública, o que a faz ficar com dúvida sobre quem é diante das escolhas que precisará fazer.

A atriz Mia Wasikowska cumpre o seu papel satisfatoriamente, representa Alice com doçura e ingenuidade. Helena Bonham Carter é brilhante, mais uma vez mostra o seu talento como atriz, sendo expressiva mesmo com uma cabeça demasiadamente grande, como mais um efeito especial.

Johnny Depp pareceu uma repetição do famigerado Willy Wonka de A Fantástica Fábrica de Chocolates. O Chapeleiro Maluco pareceu repetitivo e “gentil” demais no enredo, ao contrário do personagem de Carroll, que muitas vezes demonstra impaciência com Alice. A menina, no filme, destaca-se aos olhos do Chapeleiro como uma musa, muito diferente de como ele a visualizava antes.

Detectei mais características típicas da Disney do que do estilo Burton. O clima gótico, a vasta trilha sonora, a atuação cativante de Johnny Depp, perderam-se entre as cenas. O filme faz pensar, assim como o livro de Carroll, e o enredo flui rapidamente. Mas dá a sensação de faltar cenas, momentos de ação, mais relações com o livro. É necessária a adaptação de obras para um público atual, porém deve-se tomar cuidado em como o meio cinematográfico vai apropriar-se da Literatura de modo que respeite o personagem e o enredo que já está imortalizado entre os leitores. Talvez seja o momento de Burton se reinventar e, junto com Alice, aceitar que, como a Lagarta, passar por uma metamorfose de vez em quando pode cair bem.

Marina Franconeti Ver tudo

Escritora e mestranda na USP em Filosofia, na área de Estética, pesquisando Manet e o feminino. Ama pintar aquarelas, descobrir a magia oculta nas tintas e na prosa do mundo.

12 comentários em “Alice e as mudanças Deixe um comentário

  1. Achei uma crítica muito interessante, embora ainda não tenha assisitido o filme… Estou muito curiosa para assistir e me pergunto, será que todo esse questionamento está acontecendo devido a ser uma “espécie” de continuação da história?! Preciso ir urgentemente ver esse filme…

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  2. Adorei, pois você levantou vários aspectos que podem ser o motivo de tal polêmica. Você está melhorando cada vez mais como crítica, pois soube apontar as falhas mesmo adorando o ator e o diretor. Quanto a Lagarta, estou passando por esse processo no momento, as mudançcas são necessárias.

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  3. Pingback: Marina Franconeti
  4. Sua crítica sobre o filme foi muito interessante. Entretanto, há um ponto que devo contradizer: Não creio que a atuação da atriz Helena Boham Carter tenha sido boa. A personagem dela, na verdade, não era uma personagem “sem alma” como a atriz quis retratar; ela era uma personagem com desejo de atenção, de poder. A própria rainha branca mostrou isso ao dizer que quando eram menores, a rainha vermelha queria tudo só para ela. Enfim, creio que a Rainha vermelha pudesse expor mais esse lado “eu preciso de um companheiro” rsrsrsrs

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    • De fato, o filme poderia ter sido mais profundo em algumas questões. Mas acredito que a atuação dela foi satisfatória diante do filme que foi um pouco fraco, comparado às obras anteriores do Tim Burton.
      Mas gostei do seu ponto de vista. Como ficou sabendo do blog? :p

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      • ora minha cara, quando alguem escreve bem, num blog direcionado a leitura (infelizmente nao em todo brasil), sua reputação aumenta 😀

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    • Com o perdão da palavra, bebeu? Ou você está sendo irônico? Digo, ela foi PÉSSIMA em todos os aspectos. O que não condiz com ela, uma vez que é uma ótima atriz (vide “o diabo veste prada”)

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  5. Ótima crítica !
    Na minha opinião o filme foi fraco, não vi o jeito de Tim Burton.
    Sabe a mania dele de gótico … Aliás se ele tivesse botado o seu jeito gótico com música, assim como a “Fantástica fábrica de chocolate”, o filme faria um grande sucesso.

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