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Capacete paulista

Feriado no Brasil ou no estado de São Paulo é sinônimo de descanso, viagem, dormir mais tarde. Porém, hoje, a data Nove de julho remete à Revolução Constitucionalista de 1932. Assinalar a importância de conhecer a História como um modo de perpetuar a existência humana e a Cultura já se tornou lugar-comum. Mas é a verdade.

Desde os sete anos de idade tenho um grande fascínio pelo túmulo de Clineu Braga de Magalhães, localizado no Cemitério São Paulo. Todo ano, quando ia deixar as flores no túmulo dos meus parentes, eu passava diante do túmulo adornado por um capacete e ficava maravilhada pela delicadeza dos traços e curiosa para entender o motivo da morte do soldado. A criança idealiza o soldado como uma imagem heroica de filmes norte-americanos e esquece – ou desconhece – o fato de São Paulo ter lutado em algumas revoluções.

Por óbvio, a imagem do soldado heroico é puramente ideológica e ufanista. Porém, é necessário entender o porquê do feriado existir e os motivos da revolução.

Entre 1930 e 1934, Getúlio Vargas estava no poder, mas o governo foi chamado de Provisório. As primeiras medidas do presidente foram suspender a Constituição, fechar o Legislativo e nomear interventores militares nos estados. Um deles foi João Alberto, interventor nordestino que residiria em São Paulo. Entretanto, o estado queria alguém paulista para ser interventor. E era um absurdo um país ser governado sem uma Constituição! Praticamente uma ditadura disfarçada, já que foi apenas em 1937 que Vargas deu um golpe, iniciando o Estado Novo, puramente ditatorial, repressor.

O sentimento populacional estava em estado de ebulição. No dia 23 de maio – sim, mais um nome de rua! – ocorreu o conhecido episódio MMDC, com as mortes de Martins, Miragaia, Dráuzio e Camargo, considerados jovens heróis do sonho paulista. E foi no dia 9 de julho que realmente começou a luta armada.

Clineu Braga de Magalhães participou do Batalhão 14 de julho. Era estudante do terceiro ano de engenharia do Mackenzie College. Morreu com um tiro no coração, aos 21 anos.

O curioso é que sempre fui fascinada pelo túmulo dele, sem saber de sua participação na luta armada. Só sabia dos acontecimentos históricos. Deixar uma rosa sobre o ramo de café, a espada, a bandeira paulista e o capacete fez desse Nove de julho um motivo para renovar o clima histórico. 

Marina Franconeti Ver tudo

Escritora e mestranda na USP em Filosofia, na área de Estética, pesquisando Manet e o feminino. Ama pintar aquarelas, descobrir a magia oculta nas tintas e na prosa do mundo.

Um comentário em “Capacete paulista Deixe um comentário

  1. É isso mesmo, você sempre quis passar pelo túmulo do soldado, que chamava atenção pelo capacete e espada. Neste ano, fomos ao Cemitério São Paulo para deixar flores no túmulo de seu avô Flavio, que faleceu há um ano, exatamente no dia 09 de julho. Você levou uma rosa para deixar no túmulo do soldado. É claro que toda a situação despertou sua curiosidade e só poderia terminar numa crônica, sempre com muito sentimento que você é capaz de transmitir.

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