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Uma pílula

Há certos dias que são cinzentos demais.
Aguarda-se por um fio de luz tímido por entre as nuvens
Pronto para se expandir e mudar a própria existência.
E nesses dias o que peço é um poema!
Um poema-pílula, que cure as desavenças,
Decepções e tristezas.
Mas no mercado e na farmácia já o procurei.
O vendedor encarou-me duvidando de minha sanidade.
O médico não soube o que receitar para tal pedido.
Indicou apenas uma novalgina,
Como se meu mal fosse uma mera dor de cabeça!
Resta-me produzir essa pílula,
Com palavras e frases entrelaçadas
Unidas a ponto de se enrolarem ao meu coração
E fortificá-lo a cada segundo que fraquejar.

 

Para este poema me inspirei numa matéria curtinha do blog Não me culpem pelo aspecto sinistro, da Revista Bravo. Ela fala sobre a ideia do artista Morten Sondergaard em criar caixinhas de remédios simulando substantivos, adjetivos, pronomes, cada uma com sua bula poética, como se a gente pudesse encontrar na farmácia a solução para a falta de inspiração! Aqui está o link: http://www.almirdefreitas.com.br/blog/?p=10500

Marina Franconeti Ver tudo

Escritora e mestranda na USP em Filosofia, na área de Estética, pesquisando Manet e o feminino. Ama pintar aquarelas, descobrir a magia oculta nas tintas e na prosa do mundo.

2 comentários em “Uma pílula Deixe um comentário

  1. O poema-pílula

    Eu quero uma pílula para a minha enfermidade
    Uma pílula para a minha vontade
    Algo que traga um pouco de sanidade
    E a esse mundo insensível, sensibilidade

    Algo que combata o velho, o retrógrado
    Diagnóstico para os corações despedaçados
    Tudo que já foi malogrado
    E agora precisa ser restaurado

    Pílulas da boa vontade
    Pílulas da verdade
    Pílulas que se faça vê
    Pílulas que se faça viver

    Se combata o frio, a pobreza e a fome
    Mesmo que se for de espírito
    Pílula que não se toca, não se toma, não se come
    Mas revitaliza, dando forma ao que fora perdido na vida

    Acho que o seu poema me curou, Marininha!

    Curtir

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