Ir para conteúdo

Ah, aquele dia…

Sala de espera, as minhas mãozinhas suavam frio e sentia certo nervosismo ao ver aquelas pessoas altas com casacos brancos. Várias pessoas sentadas na recepção, aguardando para serem atendidas no hospital. Eu, meu vestidinho, o cabelo bem longo, com cachinhos na ponta, usando uma tiara para afastar a franjinha dos olhos. Apenas 4 anos de idade. Ao meu lado minha mãe esperava que me chamassem para fazer o exame de sangue.

A enfermeira se aproxima e diz:

– Vamos lá, garotinha, tirar o sangue?

Olho perdida para a minha mãe. Será que vai doer?

-Ma, não fica com medo. A moça só vai dar uma picadinha com uma agulha no seu braço para fazer o exame, vai sair um pouco de sangue, mas não vai doer quase nada. Será bem rápido, tá?

Assenti com a cabeça e fui fazer o exame. Lembrei do que minha mãe disse, virei o rosto para o outro lado e, num instante, foi feito o exame. Em seguida, percebi que minha mãe iria passar pelo mesmo. Sentei-me ao lado dela, pousei a minha mão na dela, acariciei o seu braço e disse:

-Ó mãe, só vai dar uma picadinha no seu braço pra fazer o exame, não vai doer nada, tá? Vai ser rapidinho.

A enfermeira olhou atônita para nós duas e deu uma risadinha.

Creio que a nossa relação de cumplicidade e confiança se iniciou a partir desse momento de pura compaixão.

Marina Franconeti Ver tudo

Escritora e mestranda na USP em Filosofia, na área de Estética, pesquisando Manet e o feminino. Ama pintar aquarelas, descobrir a magia oculta nas tintas e na prosa do mundo.

5 comentários em “Ah, aquele dia… Deixe um comentário

  1. Vê se eu aguento com isso?! Nessa altura do campeonato e uma das minhas melhores amigas vai começar a me plagiar e escrever continhos de criança!!! rs
    É simples e puro, e por ser assim, não tem como não rir no final e achar uma graça! É coisa de criança que muitos não vão entender, os adultos, mas que para elas faz todo sentido!!! Eu adorei… E realmente, creio que a cumplicidade deve ter nascido aí mesmo, um belo presente de dia das mães!

    Curtir

  2. Ai, Ma, foi exatamente assim que aconteceu. Eu tinha que te falar a verdade em relação ao que ia acontecer. Nunca esqueci esse momento. Muito lindo você escrever esse conto no dia das mães, adorei o presente. Te amo!!!

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Momentum Saga

A palavra escrita brilha como uma janela acesa no caos. E, então, ela alça voo e dança no ar.

Aline Valek

Blog da escritora

na cabeceira

A palavra escrita brilha como uma janela acesa no caos. E, então, ela alça voo e dança no ar.

Querido Clássico

A palavra escrita brilha como uma janela acesa no caos. E, então, ela alça voo e dança no ar.

Fright Like a Girl

A palavra escrita brilha como uma janela acesa no caos. E, então, ela alça voo e dança no ar.

Cine Varda

duas amigas apaixonadas por cinema, escrevendo sobre mulheres

Cinema na Varanda

Podcast semanal com Chico Fireman, Michel Simões e Tiago Faria

Artrianon

Arte e cultura

Rainhas Trágicas

Mulheres notáveis que fizeram História

Sopa de Letras

Literatura e outros

Antimidia Blog

Textos sem sentido, para leituras sem atenção, direcionados às pessoas sem nada para fazer.

sigoescrevendo

Um manifesto de palavras sob a regência de cada momento.

Portal de Crônicas

Cá entre nós

1001 Scribbles

Random and Abstract Lines

WordPress.com

WordPress.com is the best place for your personal blog or business site.

%d blogueiros gostam disto: