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Medusa

Sou tomada por vertiginosa sensação 
Que ecoa perturbadora em meu interior. 
No metrô vejo o ziguezaguear do vagão, 
Insignificante, deixo-me levar em torpor. 
 
Dama indefinível, tem prazer com a agitação, 
Atrai com um manto costurado de gente. 
Com ela viramos anônimos na multidão,
Na dúvida se o encanto é vil e entorpecente. 
 
Sinto então percorrer o vagão hesitante, 
Como um só corpo, há pés e braços na multidão. 
Questiono: “Medusa, sou eu parte de você?” 
 
-Decides quem és, apenas a costuro ao meu ser. 
Sou às vezes turba e à felicidade, solidão. 
Mas em vício se embriagas em mel ondulante. 
 
 
Esse é meu primeiro soneto! Na verdade um “quase-soneto”. Ele é alexandrino (com doze versos) e a rima dos quartetos está alternada em ABAB e nos tercetos CDE EDC. Só faltou o cuidado com a sonoridade das sílabas em cada verso, um dia eu chego lá haha

Marina Franconeti Ver tudo

Escritora e mestranda na USP em Filosofia, na área de Estética, pesquisando Manet e o feminino. Ama pintar aquarelas, descobrir a magia oculta nas tintas e na prosa do mundo.

4 comentários em “Medusa Deixe um comentário

  1. Má, você já sabe que eu gostei do seu soneto, né? Até te ajudei a revisar, um pouquinho… Tá, dei a opinião, umazinha… Mas você escreve bem, e eu me sinto bem e por vezes me inspiro no que você escreve!!! Parabéns!!!

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