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Contar os estilhaços

Era um sonhador o Josué.
Só se perdia em contas!
Ao ponto de ônibus ele ia a pé
Contando ladrilhos,
Em somas soltas.
O número regia o seu mundo,
Contava copos, coisas, cartas,
Até as frutas do seu Raimundo,
Pra registrar tudo feito atas.
Mas os estilhaços do coração
Josué não conseguia contar.
Tudo se encontrava no chão,
Amor pisado, esperança a chorar.
Ah, que dó ver aqueles pedacinhos!
Infinitas dores esparramadas
De beijos, gritos e carinhos.
Mais um entre as almas rejeitadas.
Josué tentava contá-los em vão
Talvez um jeito de somar.
No caderno, sua dor virava borrão
Que borracha alguma sabia apagar.
O campo do amor era probabilidade
Mas incerto, um quase-sim, quase-não,
Que arrebata em qualquer idade.
Aceite a verdade, Josué!
São infinitos seus estilhaços
E você existe pra amar.
Feita de ilusões e abraços 
A paixão não serve pra calcular.

Marina Franconeti Ver tudo

Escritora e mestranda na USP em Filosofia, na área de Estética, pesquisando Manet e o feminino. Ama pintar aquarelas, descobrir a magia oculta nas tintas e na prosa do mundo.

Um comentário em “Contar os estilhaços Deixe um comentário

  1. Adorei esse poema… Acho que você mostrou bem como fazemos uso de coisas desnecessárias para encobrirmos o que é de mais necessário cuidarmos em nossas vidas… Pelo menos foi isso que eu fiz por anos… Eu sou um pouco Josué!

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