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Boneco de neve, de Jo Nesbo

Resenha publicada no site Indique um livro

Minha parceria com a Editora Record

Editora Record, 418 pgs, 2013

Boneco de Neve tem uma história audaciosa. De início, o título nos faz duvidar da capacidade de um boneco de neve , personagem tão cândido no imaginário de quem vive nos trópicos e um dia se depara com a neve quase mística, carregar uma imagem macabra. Jo Nesbo consegue trabalhá-la de modo eficiente e nós, leitores, não hesitamos em acreditar nesse personagem perturbador.

A história se passa em Oslo, Noruega, e trata dos desaparecimentos seguidos de assassinatos cruéis de algumas mulheres. O ponto em comum: todas são casadas e têm filhos pequenos. Esse padrão faz com que Harry Hole, o único policial de Oslo que se especializou no estudo sobre serial killers, acredite que há um grande assassino à espreita na cidade, pronto para cometer um assassinato assim que a neve cai. O boneco de neve é o prelúdio para a crueldade. Se ele está no local do crime, é porque alguém irá morrer.

Desta forma, deixo aqui a dúvida que deve permanecer durante a leitura, se a história é sobrenatural ou não. Jo Nesbo consegue criar uma atmosfera claustrofóbica da cidade que se vê em meio à transparência da neve. Porém, é justamente essa neve que acaba sendo mais uma personagem da história, ocultando os segredos dos personagens. O leitor acompanha todo o encaixe das peças por meio dos passos do detetive Harry Hole, com cada capítulo demarcado por uma data. Hole é um personagem que também esconde os seus desejos de autodestruição. Durante a leitura, pode-se dizer que sentimos o enredo crescendo gradativamente para o clímax, pois Nesbo consegue fornecer as pistas certas para que possamos também tentar supor o que está por trás do boneco de neve.

Em certo momento da leitura, eu temi que o livro me decepcionaria. Faltavam cem páginas e parecia que o enredo havia congelado e eu pensei “não deve ser esse o desfecho que o autor procura”. E, felizmente, a minha impressão estava correta. Começam as explicações que clarificam os detalhes dos crimes. A história ganha novo fôlego para o tão esperado clímax, o qual não decepciona. É imaginado com cuidado e sagacidade por parte do autor. Ele nos deixa nervosos, surpresos pela composição crua da cena, bem justificada e seguindo a lógica de todo o romance.

A obra tem uma história até mesmo simples, que conseguimos acompanhar. Somos conduzidos a um clímax que consegue dialogar muito bem com os assassinatos anteriores. É como se o Boneco de Neve estivesse criando uma obra de arte juntando as pontas, a fim de visualizarmos o espetáculo final.  Assim, é o desfecho que consegue engrandecer a obra de Jo Nesbo, testando seus personagens além dos limites da primeira neve do ano.

Marina Franconeti Ver tudo

Escritora e mestranda na USP em Filosofia, na área de Estética, pesquisando Manet e o feminino. Ama pintar aquarelas, descobrir a magia oculta nas tintas e na prosa do mundo.

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