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Herói no verão urbano

Eu estava pensando na forma com que se retrata o verão nas histórias. Ele é sempre a mais doce época, em que as pessoas correm pelos campos, fazem piquenique, conhecem amores efêmeros, pulam contentes com uma leve brisa. Mas a verdade é que tudo isso aí não acontece na cidade, não. O concreto parece exalar um calor quase doloroso, a água é insuficiente, o trânsito continua o mesmo e aquele mal humor que cresce nas nossas mentes quando estamos no ônibus escaldante, “o que eu tô fazendo aqui”, já é um clássico urbano.

Uma relação poética, de amor eterno se constitui com uma figura que esquecemos em outras épocas do ano: o ventilador. Ele é quase um herói nas terras brasileiras. Se você precisa escrever um texto, mas seu cérebro já se encontra num estado de torpor, acreditando que está derretendo, escoando para algum mundo paralelo em que sobrará somente um átomo de você, surge o ventilador. Ele dissipa essa ilusão, esse desespero. E pode até sair algo bem escrito se você estiver na companhia do nobre ventilador. Ou ele pode ser tão inspirador que faz você escrever sobre seus poderes de gerar o raro ar fresco.

O ar-condicionado é outro ser que atrai multidões no verão. É quase um galã desejável. O único pensamento que temos quando estamos na rua não é mais apenas se devemos enrolar um pouco pra não pegar o metrô no horário de rush, mas sim não pegá-lo com esse calor. Então, como evitar? Se alojar em qualquer lugar em que esteja o ar-condicionado. Você se enfia nas livrarias – o que não é nenhum esforço – ou até vai para o cinema.

Esses dias eu senti frio. O ar-condicionado estava tão forte no cinema que eu senti muito frio. E a sensação foi sublime, mesmo assim.

Marina Franconeti Ver tudo

Escritora e mestranda na USP em Filosofia, na área de Estética, pesquisando Manet e o feminino. Ama pintar aquarelas, descobrir a magia oculta nas tintas e na prosa do mundo.

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