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Alabama Monroe

Dir. Felix Van Groeningen
Com Johan Heldenbergh, Veerle Baetens, Nell Cattrysse
Bélgica 2014
Indicado ao Oscar 2014 na categoria de Melhor longa estrangeiro 
 

Alabama-MonroeA música pode ser uma das melhores formas de se dissecar a dor e a alegria. Melhor do que isso é encontrar num gênero musical a possibilidade de fazê-lo sem perder aquela nuance belíssima que existe entre a euforia e a melancolia. É assim que o filme Alabama Monroe se constrói aos olhos do espectador, trazendo a trilha sonora para perto, não como instrumento de transição entre uma cena e outra, mas como um novo personagem que unifica todas as dores por meio do country e folk.

O mais surpreendente é encontrar o elenco cantando entre uma tomada e outra com extrema naturalidade. O filme é permeado por cenas de flashback, o momento presente e o futuro. Esse movimento permite encontrar o crescimento dos personagens com mais evidência. Mas isso não faz com que o filme caia em contrastes muito excessivos sobre as escolhas dos personagens. Ajuda a notar como a história de Elise e Didier é inesquecível e cheia de reviravoltas muito realistas, que podem acontecer com qualquer um. Ele é um músico que canta country com a sua banda de bar em bar. Ela é uma tatuadora que faz do próprio corpo o espaço para expor a sua arte. O filme não foca muito no momento em que eles se conheceram ou quem eles eram antes do relacionamento. Isso permite que a história fique em suspenso e nos leva a pensar que o encontro entre os dois foi o grande momento de suas vidas.

Foi um convite do caubói à Cinderela para que ela o acompanhasse, como diz uma das músicas. Conhecer Didier fez de Elise uma excelente cantora, com ele foi possível encontrar um meio para expandir a sua expressão artística. Com essa banda recebendo uma nova integrante, o crescimento ocorre no decorrer dos anos, passando de bares a salas de concerto com grande público. Mas não cabe aqui o enredo sobre a escalada a um possível sucesso, e sim a família que eles vão formando.

O filme belga, de Felix Van Groeningen, é emotivo sem precisar exagerar nas apresentações musicais ou atuações. Elas estão lá, no tom certo. Veerle Baetens incorpora perfeitamente uma Elise com inúmeras nuances, que vai da moça sedutora e musa de Didier, até a cantora de voz delicada e uma mãe que precisa ser forte para segurar a família. Johan Heldenbergh ganha força como um músico que consegue ser romântico e sonhador, mas cético e realista quanto às realidades sociais que presencia.

Junto ao drama dos personagens, a música vai crescendo, os acordes se tornam mais familiares. Do tom rústico ela se desenvolve a um canto mais puro, o que conduz a uma crueza e exposição maior sobre os sentimentos envolvendo o casal. Assim, o filme nos mostra uma história memorável de um casal que vivencia as maiores dores ao som de uma música que se faz como lar, celebração, grito e lamento.

Marina Franconeti Ver tudo

Escritora e mestranda na USP em Filosofia, na área de Estética, pesquisando Manet e o feminino. Ama pintar aquarelas, descobrir a magia oculta nas tintas e na prosa do mundo.

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