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Clube de Compras Dallas

Direção:
Jean-Marc Vallée
Roteiro:
Craig Borten, Melisa Wallack
Elenco:
Matthew McConaughey, Jared Leto, Jennifer Garner, Steve ZahnDallas Roberts, Kevin Rankin, Denis O’Hare
 

dallasClube de Compras Dallas traz à tona um drama que oscila entre melancolia e um leve humor.  Ron Woodroof (Matthew McConaughey) é eletricista e um golpista, com uma vida vazia, mas que repentinamente descobre ser portador do vírus da AIDS. Num período em que contrair o vírus era o mesmo que ser homossexual, logo Ron entra em colapso por sua doença e opta por pesquisá-la e entender melhor como ela se origina. Aos poucos ele vai compreendendo que há muitos na mesma situação e por diversos motivos, e que ele pode dar voz a essa doença que mata a cada dia com muita rapidez.

A perspectiva mais interessante do filme é mostrar como a indústria farmacêutica está repleta de ambiguidades. Por um lado, é a ela que nós recorremos quando precisamos de medicamento. Mas é ela a única capaz de ceder a patente às medicações necessárias. Parece haver um desejo tácito em aprovar somente aqueles medicamentos que diminuem os efeitos das doenças, mas não as curam. E é isso que se mostra aos olhos de Ron.

Conhecemos a força de Ron pela ótima atuação de Matthew e a de Rayon, interpretado muito bem por Jared Leto. O espectador se identifica imediatamente com o desejo de ambos em sobreviver, enquanto a medicina parece observar com surpresa o quanto conseguem ainda sobreviver. Contudo, o enredo às vezes se perde um pouco em seu ritmo. O personagem o sustenta, entre um roteiro que poderia receber uma força maior nos diálogos ou na concepção desse processo da doença. Felizmente, o filme cresce pela caracterização sincera de Ron e Raynon, pois vemos no corpo dos atores o impacto da doença, o tempo passando, a resistência.

O filme demora um pouco para apresentar a sua proposta. Mas quando o faz, agrada o espectador. Dallas traz a medida certa do humor e da delicadeza com que se deve tratar um tema tão delicado para ser representado. Apesar da falta de um ritmo melhor planejado do filme, a obra de Jean-Marc  Vallée possui a dignidade de uma boa história sendo contada, a qual precisa ganhar a atenção geral.

Marina Franconeti Ver tudo

Escritora e mestranda na USP em Filosofia, na área de Estética, pesquisando Manet e o feminino. Ama pintar aquarelas, descobrir a magia oculta nas tintas e na prosa do mundo.

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