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Tango livre

Dir. Frédéric Fonteyne

Roteiro de

Com François Damiens, Anne Paulicevich, Sergi López

França, 2012

A dança pode ser emancipatória, emitir passos que provocam o observador e desafiam quem os incorpora. O filme francês Tango Livre, do diretor Frédéric Fonteyne, parte dessa premissa para formular o título e deixá-la nas entrelinhas do enredo. A história se trata da rotina de JC (François Damiens), segurança de uma penitenciária. Ele faz aulas de tango nas horas de descanso e é lá que ele conhece Alice (Anne Paulicevich). JC acaba por se envolver com ela, apesar da relação que a moça mantém com dois homens, na penitenciária em que ele trabalha.

O filme se propõe a mostrar tais relações e a dúvida que se instaura na vida de JC, o caos e a confusão diante da complexidade do romance entre Alice e os dois homens. Porém, parece que fica apenas na proposta do filme, pois ele não possibilita que nos aproximemos dos personagens, de fato, ou que o título tango livre se construa fortemente no enredo. Há uma cena envolvendo tango na penitenciária e ela, isoladamente, é fascinante em razão do significado que ela traz: a liberdade estaria nos passos dados numa penitenciária. Nesse espaço rígido, a dança permite que a personalidade seja construída por quem a domina, apesar dos crimes cometidos do lado de fora, os quais definiriam os personagens envolvidos à sociedade.

O brilhantismo da cena de tango logo se apaga quando há as transições para outras cenas. O filme é feito de pequenas cenas que interessam o espectador. Contudo, o seu desenvolvimento é apenas promissor, sendo necessário constituir com mais ênfase a importância do tango no enredo, a provocação e a complexidade na relação amorosa, a traição, a sensualidade por meio da própria dança.

No filme se destaca a sua temática, quando põe em xeque o significado de liberdade, sendo ela existente, ironicamente, pelos passos de dança numa penitenciária, mas neutralizada numa relação confusa. JC é livre para fazer suas escolhas, mas o filme deixa no ar se ele fora coagido por uma ilusão ou se ele era capaz de aceitar as dificuldades da autonomia. O filme trabalha bem nas entrelinhas, mas com somente algumas poucas referências é que ele traz à tona a subversão dos personagens e do desenvolvimento do enredo.

Marina Franconeti Ver tudo

Escritora e mestranda na USP em Filosofia, na área de Estética, pesquisando Manet e o feminino. Ama pintar aquarelas, descobrir a magia oculta nas tintas e na prosa do mundo.

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