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Laços – Turma da Mônica, dos irmãos Cafaggi

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Resenha publicada no site Indique um livro

Segurar nas mãos a história em quadrinhos Laços é o mesmo que deixar o tempo parar por um instante e sentir a nostalgia por meio dos traços. Quem cresceu lendo a Turma da Mônica, que este ano completou 50 anos, vai encontrar em Laços a chance de recuperar a magia que é acompanhar os personagens em mais uma história.

Desta vez, ela foi criada por Victor Cafaggi e Lu Cafaggi, irmãos que assinam o roteiro e os traços que preenchem a história. Vemos Cebolinha e Cascão buscando por em prática mais um plano infalível e Mônica correndo atrás deles para lhes dar uma lição com o Sansão, enquanto Magali faz mais uma de suas refeições. A diferença é que aqui, na narrativa desta HQ, a turma e o leitor sofrem um pequeno baque: o cão de estimação Floquinho, de Cebolinha, acaba fugindo pelo portão. Agora é o momento da turma se reunir para procurá-lo e resgatar o cãozinho entre os percalços das ruas e parques afora. É uma tentativa desta turma de crianças em desbravar o mundo obscuro e misterioso dos adultos, sempre sustentando um último fio de esperança que os leve a reencontrar Floquinho.

O curioso é que as primeiras e últimas páginas possuem um aspecto de aquarela, quase em meio a uma neblina que sustenta a magia de um pequeno instante na história da turma sendo contado: quando Cebolinha ganha Floquinho como animal de estimação e como a turma se formou. São dois pontos do enredo que, em razão deste traço cuidadoso, leve e delicado, registra a grande importância do passado destas crianças na sua formação, da mesma forma que se mostra sublime aos olhos do leitor. É como se fosse ver, finalmente, um pedacinho da história dessas crianças que estão em nosso imaginário. Mas dividir com eles nossas memórias, como o dia em que seu cãozinho também veio numa caixa de papelão ou quando conheceu os melhores amigos na escolinha.

A história central, porém, já ganha cores mais fortes. Concentra-se no verde, vermelho, amarelo já clássicos na identificação dos personagens, mas acrescenta um toque dos anos 80, seja das ruas povoadas pelas brincadeiras das crianças, seja daquele gostinho de comprar figurinhas para o álbum, voltar para casa e tomar o café da tarde que a mãe preparou, as turmas das outras ruas e os planos infalíveis do Cebolinha e do Cascão. Tudo isso emana das páginas como se fosse além do desenho; no decorrer da leitura, lembranças e gostos da própria infância acabam por retornar. E é compreensível, pois gerações fizeram parte desta turma.

Desta forma, a leitura de Laços é muito fluida e delicada. A emoção por ver uma infância também próxima do leitor é o que dá o toque essencial para que as aquarelas ganhem vida no enredo. O roteiro é afiado, com um humor certeiro, condizente com as crianças e consegue dialogar com a geração atual. Um presente em imagens de toda uma infância registrada, de palavras ditas adoravelmente com L no lugar de R, com um coelhinho azul, com uma menina corajosa de vestido vermelho, um menino que não gosta de tomar banho e uma que nos faz adorar todos os tipos de comida do mundo. Esta é a turma da Mônica existindo para sempre.

Marina Franconeti Ver tudo

Escritora e mestranda na USP em Filosofia, na área de Estética, pesquisando Manet e o feminino. Ama pintar aquarelas, descobrir a magia oculta nas tintas e na prosa do mundo.

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