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Bebida consagrada

Hoje é o dia internacional da poesia! Deixo, então, aqui um poema que nasceu nos jardins de Renoir, em Montmartre, em um calor que colocava o inferno ao lado da Basílica de Sacré Coeur, mas que foi um dia mundano abençoado pelos sinos da basílica e um suco muito bem-vindo. As imagens são do jardim de Renoir, no Musée Montmartre, e um céu amarelo em pleno inverno.

 

A beleza é o belo no gole

Que se demora

Em um tempo interno,

Tempo que não se consome,

Que suspira, vai embora

E fica em gosto, timbrado de outrora.

Depois do gole, o gosto único

De provar o instante em amarelo,

Com os sinos abençoando

O instante eterno.

Deixe que o copo derrame,

Pouco a pouco,

De suas mãos

O amarelo do suco

Que antes era só suco.

Mas nas suas mãos

Ganha ar de puro ouro

Consagrado pelos céus

Após um calor infernal.

Um amarelo que vem doce, no verão,

Como que capaz de tocar o rosto

Com a crueldade dos anjos.

Ah, vocês verão,

Pintar no céu um dourado resistente

De gosto invernal.

Como que surpresa da vida contínua.

Íntegra doçura que ainda se guarda

Ah, tal bebida ambígua,

Em gesto mundano

O mundo modifica.

Calor na negatividade dos ventos.

Se antes a tarde

Era feita de calor,

Suor e estupor,

Agora em festio virou

A mais célebre canção

Sussurrada nos meus dias

De inverno seco,

Esperança no chão.

E os sinos,

Que só tocam em vida sagrada,

De uma torre regrada,

Abençoam sua vida

De bebida dourada,

Em forma da mais pura poesia

Digna liquidez em ambrosia.

IMG_1224

 

IMG_7137

créditos de imagem: Marina Franconeti

 

Marina Franconeti Ver tudo

Escritora e Mestre em Filosofia na USP, na área de Estética, com a pesquisa Confrontos do olhar: a pintura e a figuração feminina por Édouard Manet. Ama pintar aquarelas, descobrir a magia nas tintas e na prosa do mundo.

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