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Os meus filmes e séries favoritos de 2020

Publiquei a minha lista de melhores livros de 2020 e agora, para não perder ainda o timing das indicações, aqui vai a de séries e filmes. Como não assisti muitas produções de 2020, é uma lista variada, apenas com alguns lançamentos.

O Parasita, Coreia do Sul, 2019: o vencedor do Oscar de Melhor Filme é uma obra marcante. Passei o ano ainda lembrando de trechos dele, toda a situação social dos personagens que perdem seus pertences nas enchentes – algo também tão brasileiro. Essa família que resolve criar todo um esquema para ingressar na casa de uma família rica é uma história cheia de camadas que não cansa de surpreender. Eu queria que, em 2020, tivéssemos ficado no instante tão bonito da vitória de Parasita no Oscar. Depois disso foi ladeira abaixo. Então gosto de lembrar quando a internet era só comemoração por um filme.

A despedida, EUA/China, 2019: eu amei tanto esse filme que eu o assisti duas vezes no mesmo dia, e chorei nas duas vezes. Pressionada a não contar para a avó que ela está com poucas semanas de vida, uma família inteira forja um casamento para justificar a reunião de todos os membros para rever a matriarca. Um filme delicado, por vezes engraçado, falando sobre morte, vida e os vínculos de sangue.

A despedida

Retrato de uma jovem em chamas, França, 2019: o universo das pintoras do século XVIII é muito bem representado no filme francês de Céline Sciamma. Marianne (Noémie Merlant) é uma pintora contratada para fazer um retrato de Héloïse (Adèle Haenel). Dias e noites envolvida com a composição da obra, pintora e modelo se apaixonam e se veem entre as chamas de um amor que as consome. O filme tem excelente fotografia e trabalho atmosférico de época, e ainda traz um debate raro sobre o modo com que o feminino é representado no cinema e na pintura, apostando em um desvio do olhar voyeur tão constante.

O homem invisível, EUA, 2019: excelente thriller inspirado no clássico homônimo NOME, ele tem uma tensão crescente em torno dessa atualização do tema do livro para um muito presente: o homem stalker e a ameaça do feminicídio. Pois a protagonista NOME (Elisabeth Moss) se vê perseguida pelo ex, que supostamente morreu mas que agora parece ressurgir como um homem invisível controlando cada passo seu dentro de casa. É um filme que vai além da metáfora e nos mostra de forma muito íntima o terror da perseguição masculina.

Be Natural, EUA, 2018: Alice Guy-Blaché (1873-1968) é simplesmente uma das mais importantes cineastas, e esquecida por décadas pelo grande público. O documentário recupera a memória dessa diretora ao mesmo tempo em que mostra a imensidão de sua lista de curtas-metragens feitos entre o final do século XIX e início do XX, superando os irmãos Lumière e Georges Méliès em termos de quantidade de trabalhos. Sem contar que Blaché foi uma diretora que ainda escreveu histórias mirabolantes, fantasistas, temas feministas e dramas em seus curtas, mostrando a sua diversidade criativa.

A felicidade não se compra, EUA, 1946: sem dúvidas, o maior clássico natalino e que transgride a sua classificação natalina para ser um dos filmes mais belos já feitos. Com um protagonista em crise, George Bailey ajuda uma cidade toda com sua empresa de empréstimos, mas quando vê seus negócios ameaçados, pensa em se suicidar. Um anjo intervém e mostra a ele como seria a vida de uma cidade inteira e de sua família se ele sequer existisse. O filme traz a mistura certa entre um filme divertido e emocionante. Falei dele na minha lista de filmes e séries natalinos.

Emma, Reino Unido, 2019: o clássico de 1815 escrito por Jane Austen virou uma adaptação vibrante com cores efervescentes. Dominante no círculo social, o lazer narcisista de Emma Woodhouse é o de juntar pessoas, mas ela mesma tem sua resistência para o amor. Destaque para Anya Taylor-Joy como a Emma perfeita em seus gestos de superioridade e de uma juventude testada inúmeras vezes para finalmente adquirir maturidade. E o figurino impecável, que dá vontade de vestir cada peça de Emma e sair andando. 

Mulherzinhas, EUA, 2019: a doçura, o espírito livre da família March, vindos do livro homônimo de Louisa May Alcott que comentei acima, ganham forma no filme de Grega Gerwig. Ele tem um corte de eventos diferente ao do livro, saindo do modelo linear, o que pode ser um pouco confuso no início, mas vai funcionando. A diretora fez acréscimos à personagem de Jo March, de Amy, o que atualizou a trama e deu um final até melhor que o do livro. 

Emma
Mulherzinhas

SÉRIES

Years and years: essa série me surpreendeu demais, daquelas em que pensei depois por muitas vezes. Trata-se de uma distopia muito, muito realista, porque o roteirista Russell T Davies (Doctor Who) inclui tantas coisas com ares futuristas que já aconteceram…o que assusta é a possibilidade de se realizar nos próximos anos. A trama se passa entre 2019 e 2030, mostrando as mudanças sócio-políticas no núcleo de uma família de classe média britânica. Tem Emma Thompson como uma figura política questionável, e é um grande espelho das crises políticas atuais. O tipo de série que deveria ser assistida para que saibamos como a autoridade que escolhemos muda o curso da história.

The Crown: a série da rainha Elizabeth II voltou em 2020 com a 4a temporada, e a tão aguardada aparição da princesa Diana. Com excelente produção e elenco, a série intensificou as fissuras na coroa da rainha, e presenciamos suas falhas. Escrevi resenha de todas as temporadas aqui no blog.

O Gambito da rainha: uma das séries mais populares da Netflix no ano de 2020, a série nos inseriu no fascinante universo dos jogos de xadrez, ao mesmo tempo em que acompanhamos a jornada da heroína Elizabeth Harmon (Anya Taylor-Joy). Analisei a personagem e toda a trama em uma resenha.

The Crown
O Gambito da rainha

A maldição da mansão Bly: em poucos dias mergulhei na história dessa mansão, li o livro de Henry James, A volta do parafuso, que inspirou a série. Ela tem algumas abordagens bem interessantes sobre memória, tempo, o rancor guardado por toda uma vida, os vícios repetitivos que nós mesmos sustentamos, pontos esses que facilmente afetam o espectador. Não é bem uma história de terror, mas faz pensar bastante.

The Office US: estou só usando esse espacinho para dizer que foi a melhor escolha, para a minha sanidade, resolver rever essa série em quarentena. Acho mágico como The Office é uma série que valoriza a vida trivial de um pequeno escritório com funcionários que inventam festas e coisas bizarras no meio do horário de trabalho, com um chefe que é a mais clara sátira ao homem americano. Os personagens nos cativam rapidinho e parece que a cada temporada somos parte da equipe da Dunder Mifflin.

Marina Franconeti Ver tudo

Escritora e mestranda na USP em Filosofia, na área de Estética, pesquisando Manet e o feminino. Ama pintar aquarelas, descobrir a magia oculta nas tintas e na prosa do mundo.

2 comentários em “Os meus filmes e séries favoritos de 2020 Deixe um comentário

  1. Marina, tudo bem? Eu assisto poucos filmes e séries, pois prefiro ler. No entanto, essas dicas que você colocou devem ser muito boas. Obrigada por compartilhar. Abs.

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