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O toque no chão de Marte

Créditos: NASA

Naquela quinta-feira, era um marco dos grandes. Abri o twitter para passar os minutos, desfilar pela linha do tempo, no tédio unido ao sono de fim de tarde, já era hora do café. Estava lá, de forma grandiosa, anunciado entre os temas mais comentados: a sonda Perseverance chegaria à Marte a qualquer momento.

Logo o vídeo me chamou de volta, a voz dos cientistas invadindo o cômodo de isolamento de quarentena, contagem regressiva ao canto. Fileiras de uma mesa, com pessoas ansiosas mas focadas nos dados e números que pareciam a harmonia de uma ópera em língua estrangeira. O fervor da ciência crescia como bola de fogo, estava para acontecer.

Sete meses para que a sonda engatinhasse até o seu possível ápice (ou só o seu começo de descobertas). Vinte anos de perseverança. A chegada do robô promete explorar a cratera de Jezero, local de um lago já extinto há 3,9 bilhões de anos, vai procurar por micro fósseis nas rochas e solos. Verificar se há indícios de vida no planeta.

A contagem regressiva se iniciou, a projeção tomou a tela, com a sonda no centro como um desenho animado do qual criança alguma desvia os olhos. Gerações passadas viram na televisão em preto e branco o homem dar o passo na superfície da Lua. Há poucos anos, vi a famosa foto do buraco negro. E agora, era o encantado Marte do imaginário infantil, prestes a recepcionar um planeta simbolizado por uma máquina.

Foi com uma explosão de gritos humanos daqui que a sonda, finalmente, pousou. O choro aconteceu, de alguma alegria futurista, um escapismo científico desse terror diário da quarentena, tão recontada nas histórias dos filmes, acontecendo. Fui para a varanda e olhei para o céu, as nuvens rosadas ensaiando o seu retiro para descortinar a noite. Vi meu cachorro em pé, curioso, observando outros cachorros. Raça próxima a de Laika, a cadela enviada à Lua, e morta pelo superaquecimento e medo no abandono, mandada aos céus que não entendia. O mesmo nome da cadela de infância de minha mãe. Abracei meu cachorro na Terra e disse contente: “Scott, estamos em Marte”.

“ele me seguiu até em casa. O nome dele é rover”, diz o et para os outros dois. Créditos: lizclimo

O pouso do rover e as suas imagens

“A missão Mars 2020 Perseverance da NASA capturou imagens emocionantes de seu rover pousando na cratera Jezero de Marte em 18 de fevereiro de 2021. As imagens reais neste vídeo foram capturadas por várias câmeras que fazem parte da entrada, descida e aterrissagem do rover. As imagens incluem uma câmera olhando para baixo do estágio de descida da espaçonave (uma espécie de jet pack que ajuda a voar o rover até o local de pouso), uma câmera no rover olhando para o estágio de descida, uma câmera no topo do o aeroshell (uma cápsula protegendo o rover) olhando para o pára-quedas e uma câmera na parte inferior do rover olhando para a superfície marciana”.

O áudio embutido no vídeo vem das chamadas de controle da missão durante a entrada, descida e pouso.

E no video abaixo dá para ouvir o som do vento e da pressão do ar registrados em Marte. Segundo o Daily Mail,

“A sonda InSight da NASA capturou o som de um “redemoinho de poeira” marciano durante seus primeiros dias no planeta vermelho. De acordo com a agência espacial, esta é a primeira vez que ouvimos ventos marcianos. O ruído surdo detectado pelos sensores do InSight está estimado entre 10 e 15 mph (5 a 7 metros por segundo) de noroeste a sudeste – e as gravações estão dentro do alcance da audição humana”.

Para obter mais informações sobre o Perseverance, visite aqui

Marina Franconeti Ver tudo

Escritora e mestranda na USP em Filosofia, na área de Estética, pesquisando Manet e o feminino. Ama pintar aquarelas, descobrir a magia oculta nas tintas e na prosa do mundo.

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