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Aurora canta nos bosques: show-documentário da cantora norueguesa

Como uma fada etérea nascida nas florestas da Noruega, a cantora Aurora ascende na música com surpreendente magia. Cabelos loiros quase brancos, pequenina, dançante e ágil, Aurora evoca a doçura da infância e a coragem de uma juventude que fala sobre uma natureza em colapso.

Aurora está comigo quase todos os dias. Eu pude assistir a um show dela em 2019 em São Paulo, no Credicard Hall. Foi como ingressar em um universo interno e mágico. Era noite de lua azul, parecia que ingressar em seu show, com um palco cheio de águas-vivas esvoaçantes com a música, era uma espécie de ritual entre o céu e as águas.

Não se assiste a um show da Aurora de forma passiva. Ela obriga a se expandir e a se emocionar. Não é mera trilha sonora, de verdade. Olhando para trás, vejo que comecei um processo terapêutico com All is soft inside, e Aurora tem uma importância tão significativa na minha vida que escrevo esse post mais para espalhar. O tipo de cantora que pode ajudar a abrir um espacinho de sonho e delicadeza num instante tão brutal como o da pandemia.

Aurora em São Paulo, 2019

Um show de Aurora é uma experiência praticamente ritualística. Ela parece evocar as cores da infância, correr pelas florestas descalços, conversar com criaturas, ouvir árvores falantes, alienígenas que descem dos céus para ajudar um povo atingido por uma infecção mortal, uma massa azul e confortável que abraça essa criatura tão frágil que é o ser humano.

Existe uma energia estonteante nos álbuns da Aurora. Especialmente Infections of a different kind e A Different Kind of Human, que são a maturação do trabalho de Aurora desde a infância. Sim, músicas famosas como Runaway, a primeira que ela compôs, foi feita só quando a artista tinha 9 anos. De uma sensibilidade rara, Aurora desarma a rigidez para adentrar na fragilidade que todos nós carregamos. Talvez para mostrar que essa é a fonte de uma força oculta também.

Por isso, resolvi trazer a indicação de um show da Aurora disponível na internet, um show muito diferente porque ele foi feito na floresta da infância da artista, o que dá um clima perfeito de conto de fadas. Em 2019, Aurora foi convidada para um episódio de Haik na TV norueguesa, com diversas surpresas, incluindo o show ao final.

A sua artista favorita, Ane Brun, cantou uma das músicas de Aurora, All is soft inside. Aurora também apresentou uma outra versão de Warrior, para fãs dela, com um instrumento muito peculiar, o guzheng. O instrumento de cordas chinês dá um toque milenar à música, é uma espécie de cítara chinesa. São por volta de 26 cordas e pontes móveis, e o guzheng é o ancestral de diversas cítaras asiáticas. Quem a toca com Aurora na apresentação é Nora Yuyue Zheng, junto a Anders Bjelland no teclado e Matias Monsen no cello.

O episódio termina com um pocket show na floresta em que Aurora cresceu, com fãs, amigos e sua família entre o público. Abaixo, o documentário televisionado pela NRK TV, no episódio de Haik. É só ativar as legendas em português. A partir dos 34 minutos, o pocket show começa.

O pocket show em vídeo separado, logo abaixo, com legendas em inglês:

0:06 – The River

6:12 – Infections of a different kind

12:22 – Runaway

16:52 – It happened quite

22:34 – The seed

27:40 – All soft inside

33:50 – Daydreamer

Marina Franconeti Ver tudo

Escritora e Mestre em Filosofia na USP, na área de Estética, com a pesquisa Confrontos do olhar: a pintura e a figuração feminina por Édouard Manet. Ama pintar aquarelas, descobrir a magia nas tintas e na prosa do mundo.

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