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Categoriaarte

Ética e ciência

Redação de Filosofia – 2010

“Neste mundo há muitas misérias que não são ignorâncias; e não há ignorância que não seja miséria”. Padre Antônio Vieira

Heráclito e Demócrito

De acordo com a obra do artista Bramante, os filósofos Heráclito, o “pai da Dialética”, e Demócrito, que estudou o átomo como indivisível, observam o mundo sob aspectos distintos. Heráclito chora, enquanto Demócrito ri. Dessa forma, Padre Antônio Vieira, conhecido pelos sermões que escreveu, analisa o valor de ambas as reações.

Ao chorar, Heráclito demonstra insatisfação com as “misérias” do mundo, isto é, com os acontecimentos que não se modificam. Dentro da filosofia criada por Heráclito, “ninguém banha-se duas vezes no mesmo rio”, o mundo está em frenética mudança. O choro do filósofo parece indicar certa falha na filosofia que ele mesmo criou. A vontade de poder, o totalitarismo, a ética perdida são fatos que não se modificam por si mesmos, como as águas de um rio. Saber que existem “misérias” é apenas um passo para a mudança, todavia ter consciência delas não costuma modificá-las naturalmente. Essas mudanças, portanto, não podem constituir uma “origem”; elas são invenções do ser humano.

No quadro, tendo uma reação oposta, Demócrito ri. Não possui uma conotação arrogante e nem se posiciona como um “velhaco” que detém todo o conhecimento. Mas, ao creditar a ideia do átomo, Demócrito sente que possui um trunfo. A ciência é capaz de alimentar milhões de pessoas, de criar armas para defendê-las (em certo sentido). Mas a ciência não se apropria da segregação ou pobreza na África. Ambas as idéias, de Heráclito e Demócrito, são válidas, auxiliam na constituição da sociedade. Entretanto, debater a ética é fundamental para que facilite um pouco a convivência humana e estabeleça um limite na ciência. 

Patinação artística

O riscar do gelo, brilho, um vestido esvoaçante. É assim que a patinação artística, nos Jogos de Inverno de Vancouver 2010, apresentou-se. A dupla canadense Tessa Virtue e Scott Moir ganhou a medalha de ouro, a quinta nas Olimpíadas, mas a primeira na categoria de patinação artística. A apresentação foi belíssima, ovacionada por longos minutos, e emocionou ao retratar de forma tão sublime a 5ª Sinfonia do compositor Gustav Mahler.

A dupla que ficou em segundo lugar fez também uma excelente apresentação, ao som da trilha sonora de O Fantasma da Ópera, The Music of the Night. O figurino era semelhante ao do filme e a dupla conseguiu mostrar a leveza que a obra do compositor Andrew Lloyd-Webber imortalizou no teatro.

Oksana Domnina e Maxim Shabalin, a dupla russa que venceu ano passado, ficou com o bronze. Apresentou sensualidade e uma boa técnica, mas não chamou a atenção do público tanto quanto a dos canadenses.

Às vezes é tão difícil manter-se em pé numa superfície plana! Imagina patinar no gelo? Uma proeza difícil, sem dúvida! Depois de assistir à patinação artística, fiquei fascinada com a técnica, a beleza e a arte de apresentar uma história no gelo.

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